quinta-feira, 10 de junho de 2010

Estranho Depoimento

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Nesta noite pasada ouvi um depoimento muito estranho, mas senti no fundo uma certa felicidade em ouvi-lo. Só lamento minha mãe não estar viva pra ouvir isso.

Ontem sai pra ir ao mercado em Novo Hamburgo na volta dei uma caminhada passando pelo bairro Rincão dos Ilhéus, em Estâmcia Velha (minha cidade) e é lógico, minha caminhada demorou muito pois, praticamente, a cada esquina encontrava algum conhecido e ficava papeando.

Já passava das 20h, Vi e ouvi, alguém gritando meu nome na porta de um boteco. Era um cara chamado Evandro, quando criança morava na mesma rua (única) que eu  na Vila Rangel.

Resumindo a desventurada vida deste homem. Era filho de "mãe solteira" e apanhava diariamente do padrasto. Dormia na casa da vó (no mesmo terreno), porque o padastro não ia sustentar filho dos outros. A vó o botou pra fora de casa porque ele fumou maconha (acho que tinha uns 9 anos) Com uns primos mais velhos.

Ontem ele estava embriagado e não parava de me elogiar pro dono do boteco e chamar de "amigão". Até aí tudo bem. Todo bêbado tem este discurso de "eu te considero muito".

Insistiu que eu fosse até a casa dele pra conhecer sua mulher e seu filhinho. O menino eu já tinha conhecido um dia em que os encontrei na rodoviaria de Novo Hamburgo.

Bebados são mais sinceros no que dizem, as vezes (na maioria) se arrependem no outro dia por ter sido sincero demais e ofendido seu melhor amigo. Hahahaha.

O cara passou o caminho todo insistindo que eu deveria fazer um "puxadinho" atrás da casa dele pra sair do alugel.

O mais inusitado foi quando chegamos na casa dele e foi me apresentando pra sua esposa e disse:

Este aqui é amigão. Tô falando de amigão e não daquelas bostas que moram naquela vila de mérda. 

Nêga, eu tava na rua nem minha mãe me queria em casa. Inverno frio. Ele deixava eu dormir escondido no quarto dele, me dava comida escondido porque os pais dele achavam que eu era bandido, porque minha vó falou.


Pra tu vê, até meus parentes queriam me "cumer". Pra me dar pouso ou um pedaço de pão, eles queriam me cumer. Este aqui nunca se passou comigo, Nem nunca disse bobagem, me dava uma coberta e mandava dormir no chão, num cantinho do quarto.
Este aqui é homem.



Minha mãe sempre desconfiou que eu fosse como os parentes deste (na época) menino. Que se não tivesse "comendo" pelo menos recebia alguma retribuição oral pelo pouso escondido....

Nunca na minha vida, havia tocado neste assunto ou tentado me inocentar das desconfianças. Hoje estou  escrevendo porque o que ouvi realmente me surpriendeu.

Pensei que nem mesmo no meu velório alguém faria um comentário destes.


Nota adicional: naquela época eu tinha 16 anos e o menino entre 9 e 10.
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2 comentários:

silvia disse...

Boa tarde a todos olha talves eu seja suspeito em comentar,pois tenho o prazer de ser Meio irmão do Bissigo Ricco, mas vou faze-lo e ja fazendo! conheço a historia do Evandro, e conheço este cara chamado David, (Bissigo Ricco)o que ele fez pelo Evandro é sem duvidas apenas uma gota de seu espirito, no mar de seu carater e bondade!! Sem duvidas eu o afirmo, Bill um grande cara que o mundo viu nascer!! Eu e meus filhos podemos sem duvidas afirmar isso!! Pois sem duvidas foi uma das mãos que me tiraram do poço, quando la cai. E não poderia esperar um velório para comentar isso! Beijo no coração , meu pequeno grande irmão! te amamos, eu minha esposa e meus filhos...

Bissigo Ricco disse...

Hehehehe

Parece que o Pai Luiz, fez seu comentário incorporando a Mãe Silvia.

http://bissigoricco.blogspot.com/2010/03/pai-luiz-de-ode-dele.html

Valeu a força.
hehehe